#32 - Novos ares
Em 2023, quando decidi criar esta newsletter, minha vontade era ter um espaço para compartilhar meus textos autorais, além de dividir um pouco da minha jornada pessoal trabalhando no mundo dos livros. Afinal, sei bem que escrever, reescrever, editar e publicar pode parecer ser uma coisa só, mas quem é apaixonado pelo emprego das palavras e pelo mundo de papel, sabe que cada etapa exige um olhar de diferente intenção — e eu queria falar sobre isso.
No entanto, como é comum no ritmo da vida, aos poucos a news foi se tornando apenas dos textos autorais — cada vez mais esporádicos, é verdade — para depois virar um prazer feito só quando sobrasse tempo. E, convenhamos, quem é que tem tempo sobrando hoje em dia? Especialmente se você vive o caos metropolitano (como é o meu caso), a percepção de tempo se esvai a cada nova notificação ou pensamento interrompido por uma nova demanda que não estava prevista na lista de tarefas naquela manhã. E se não há sobra, há que se ativar o botãozinho da consciência para fazer uma escolha com vontade.
Assim sendo, sou do tipo que acredita que se realmente queremos executar algo, é preciso incluir esta vontade na lista de tarefas e tratá-la com o mesmo comprometimento que oferecemos a um cliente. Por isso, aqui está: um novo compromisso de escrita comigo mesma e com vocês. Quinzenal e, agora, com a coluna Cartas HBC para voltarmos a conversar um pouco sobre os segredos e particularidades deste mercado editorial.
Que bom poder contar com você por aqui!
Mayara Facchini
Cartas HBC
Quando fundei a Histórias Bem Contadas em outubro de 2021, eu tinha passado os últimos sete anos dedicando a minha vida a lidar com autores. Conheci todo o tipo de gente que você pode imaginar, vivi momentos inusitados e maravilhosos por conta disso, mas também mergulhei profundamente nas frustrações de quem escreve e quer publicar. Era um mar de reclamações repetidas que, muitas vezes, estavam mais relacionadas às altas expectativas e ao desconhecimento do que acontece nos bastidores do mundo dos livros. Não culpo esses autores, afinal, o mercado é uma ervilha (cortada no meio!) e poucos param para compartilhar os pormenores. Só que eu adoro conversar. E, modéstia a parte, tenho uma baita sensibilidade para compreender os anseios dos escritores e artistas — até porque me vejo neles.
Assim, cinco anos depois, cá estamos. Quase 200 livros já passaram pela HBC e a empresa que eu sonhei se tornou uma agência literária e preparadora de autores — confirmando uma suspeita que eu tinha desde o início: a de que é possível fazer diferente se nós formos transparentes com os autores sobre o funcionamento do mercado e, mais que isso, honestos sobre a qualidade de um texto. Se lá atrás eu já falava da importância de mantermos viva a figura do editor à moda antiga, em tempos de IA, produção acelerada, autoridades instantâneas, fake news e textos rasos, acredito do fundo do meu coração que a nossa profissão — tão humana — será ainda mais necessária.
Ainda que muitos possam dizer o contrário, as revoluções tecnológicas nem sempre acabaram com todas as profissões. O livro segue resistindo ao tempo. Assim como o cheiro do papel. Assim como as livrarias de rua. Assim como quem se delicia com uma boa leitura. Assim como nós. Nós editores. Nós editores que mantemos o interesse nas letras, nós editores que perpetuamos o vínculo das conversas complexas, nós editores que nos emocionamos com as palavras bem escolhidas, nós editores que questionamos ideias, que acompanhamos autores, que prezamos pela qualidade intelectual de uma obra, que sentimos na pele a emoção de uma entrelinha e que somos guardiões dessa preciosidade que resiste até quando o mundo desenha um cenário de fim dos tempos: os livros.
O texto de hoje é para dizer que estamos de cara nova (percebeu o novo logo?) e que a partir de agora, nós nos encontraremos mais por aqui e também pelo Instagram da HBC. Então aproveita e já me responde contando qual é a sua curiosidade sobre o processo de criação de um livro.
Espero você na próxima!



Que susto! Pensei que vc ia falar que não ia escrever mais. Adorei o suspense - e o desfecho <3